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Economia

Coronavírus: Com oportunidade de se tornar líder, Bolsonaro preferiu ser o vilão

Nem sempre um administrador público, em qualquer esfera, tem oportunidades de demonstrar eficiência, não só pelos quatros anos de mandato, que às vezes é pouco para iniciar e concluir ações que sejam “vistas”, já que os cidadãos, não só os brasileiros, “enxergam” somente aquilo que é físico e/ou visível, mas também em muitos casos por apenas estarem corrigindo erros de administrações anteriores.

Bolsonaro recebeu essa oportunidade com a crise do coronavírus, mas em vez de utilizá-la para demonstrar que é um líder, substantivo que ele se auto atribuiu em suas bazófias, não o fez como também deixou que dela seja um vilão. 

Quando a epidemia já era clara na China, Bolsonaro poderia ter orientando seu governo à esclarecer e definir que ações tomariam para combater uma epidemia caso chegasse ao Brasil. Não seria necessariamente deslocar prévia e desnecessariamente recursos, mas de deixar claro que ele como presidente do país, tinha ciência de um problema que poderia ter e dar segurança à população. 

Ainda que ele tivesse informações fortes de quem não era um problema [que não é o caso, pois o alerta já era mundial], a posição dele, sua função pública, exigia isso, não importando também suas opiniões pessoais. Ele inclusive poderia, não agindo como um líder de nação, não fazer nada, contudo, ele preferiu desde o início zombar e minimizar o assunto.

Vamos saltar um pouco no tempo quanto ao que estava no parágrafo anterior, pois ele repetiu as mesmas ações por várias vezes, e vendo a cada uma delas que estava errado e preferia, perdendo mais oportunidades, zombar da nova situação, como quem nunca aprende com o erro. Nesse meio tempo, politizou a questão, foi o primeiro a politizar o assunto culpando agentes políticos estrangeiros, mais tarde culpando agentes políticos nacionais, em pura contradição, o que seus seguidores fingir não ver.

Oportunidade de ouro, perdida

Quando a situação começou a se tornar mais grave decretou estado de calamidade pública. Se ele tivesse feito isso antes poderia ter dado toda a atenção que a sociedade pedia ao assunto, com o apoio popular e sem risco de não aprovação, pois se não aprovado colocaria todos [já preocupados] contra o congresso. Também ficaria com o controle do orçamento, como tem agora, escondendo o seu segundo ano com a economia pífia. A discussão política, antes do coronavírus tomar os meios de comunicação, era da previsão de seu segundo ano de mandato não haver quase nenhum crescimento, isso nas melhores previsões, com o primeiro ano já tendo sido abaixo do previsto.

Ter feito isso previamente não seria uma atitude inconsequente, além uma jogada política eficiente, já que o risco era previsível, e se tornou real. Essa falta de visão, trocada por comportamentos literalmente infantis, talvez nos deixa entender porque por quase três décadas no congresso não conseguiu aprovar quase nada, culpando os colegas por boicote de seus projetos, mesmo com ele votando várias vezes ao lado da esquerda. Inconsequente e incoerente foi após dizer que não poderia dar mais de R$ 200 de ajuda para pessoas sem fonte de renda fixa e mais tarde jogar truco, sempre subindo a aposta, contra Rodrigo Maia, chegando à triplicar o valor inicial [agora R$ 600], pouco mais de uma hora depois do congresso querer votar um valor maior que R$ 200. Ou seja, nesse momento, sem entrar no mérito de que valor é bom, mas apenas o que ele falou, desconsiderou seus argumentos na proposta anterior, não foi o corajoso que grita contra a opinião pública [não estamos falando da imprensa], muitos deles seus eleitores, para dizer: “que o congresso estaria pagando mais do que o governo pode e que gente ia morrer de fome por isso“. Outra contradição que seus seguidores não veem.

Desde o começo de seu mandato, o congresso tenta ter o protagonismo, e na oportunidade de tirar o protagonismo deles, continuou com piadas e zombarias, contrariando integrantes de seus ministérios [indo de Guedes à Moro, os mais técnicos em suas áreas, ignorando os erros dos mais ideológicos que foram caindo por suas ações que tornaram insustentáveis], o que fez desde o começo do mandato com essas [piadas e zombarias] sendo rebatidas pelos novos acontecimentos, como a epidemia já em solo brasileiro, e também pelos seus opositores políticos, os quais estariam nesse momento se vendo na obrigação de se calarem ou defenderem suas ações, ou acabarem eles sendo os vilões.

Por mais que Bolsonaro insista, é quase nula ultimamente declarações de políticos de esquerda, seja do PT ou PSOL, inclusive de Rodrigo Maia, que não podem criticar o que corretamente está sendo feito, graças às pressões públicas, e as crises, como sempre, são criadas pelo próprio ou de alguns de seus filhos. Não havendo como criticar e vendo o inimigo jogando gasolina no próprio incêndio, é mais fácil ficar olhando.

Se pegar as declarações do mesmo com diferença de dois ou três dias, se percebe que ele está minimizando sempre um problema atual que é uma evolução do que ele minimizou (muitas vezes zombou) pouco antes.

Hoje, com a situação em outro nível, ele já fala que “Pessoas vão morrer, pô, infelizmente”, “Mas é um problema de todos nós”, “É minha culpa se gente morrer? é um vírus.” ou seja, assumindo que negava, mas quase sempre no ataque [já começando a se tratar como vítima], já sabendo que críticas virão por seu comportamento anterior, e fazendo declarações contínuas como “Vocês querem a esquerda no poder”, “É isso que eles estão fazendo aí, pô, tudo isso para tomar o poder e ferrar vocês”, que é até ridículo dentro das questões que lhe são feitas fora do contexto político e que seus cegos seguidores TAMBÉM não vão perceber que está desmentindo outras declarações de sua autoria.

Bolsonaro é sua própria oposição, quando não está sendo tratorado pelo congresso, está sozinho se jogando embaixo do trator. Nem Macri foi tão eficiente em jogar votos para as mãos da esquerda numa futura eleição. 

Perorando, até um mau líder levaria os seus à segui-lo em suas ideias, por mais loucas que fossem, mas nem ele tem coragem de fazer o que fala, “pagar para ver”, no caso do coronavírus, deixam seus seguidores apenas defendendo uma causa à qual ele não vai em frente, felizmente.

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Economia

Bolsonaro quer importar arroz e prejudicar produtores brasileiros

Diante do aumento de preços nos produtos básicos, entre ele o arroz, Bolsonaro decidiu que vai importar arroz para forçar a redução do produto no Brasil. Essa medida populista, que lembra os governos petistas/dilmistas [todo o governo de Bolsonaro é similar aos dos petistas, nas coisas morais, éticas, legais, ilegais e nas que não são assim], vai acabar prejudicando produtores brasileiros de arroz [forçando a baixa] que vêem com esse aumento uma forma de recuperar com exportações as perdas passadas.

Bolsonaristas batem palmas [exceto os bolsonaristas que produzem arroz – que talvez deixem de ser bolsonaristas] ignorando as críticas que fazem aos governos estrangeiros que tomam tal estratégia prejudicando outros países [não o deles como é o caso], como a China [ignoram o EUA – geralmente com a soja].

Apesar de ser tradicional na culinária brasileira, as pessoas podem aprender a substituir o arroz com outros produtos que não tiveram aumento, sem consequências à saúde, da pessoa e da economia do país [que tem reflexos diretos na saúde econômica e biológicas dessas mesmas pessoas]. Se eles querem pagar caro pelo nosso arroz, agora, deixe que paguem [ou parem de reclamar de ações semelhantes quando a venda é para o Brasil] e aguardem o mercado voltar ao normal, a própria redução das vendas dentro do país vai garantir isso.

Claro que eles, e os produtores, sabem que essa alta não é algo que vai se manter, não precisa de tal atitude [ou será que Guedes não sabe e age como Ciro Gomes jogando números ao vento? ou mais uma vez se cala e se rende ao populismo de Bolsonaro que jogou nele a culpa de não conseguir apoio no congresso para aprovar novo imposto e então atrasar o lançamento do Bolsa Família Bolsonarista turbinado com dinheiro do cidadão economicamente ativo?]

Bolsonaristas que compartilham teorias loucas de conspiração no “zap do Bolsonaro”, mesmo sendo boa parte do que compartilham ações criadas pelo próprio Bolsonaro, não conseguem [querem] perceber uma coisa tão básica, clara, transparente [que nem se enquadra em teoria pois já são fatos], simplesmente porque se comportam como os petistas, que continuam a xingar, chamar de comunistas, socialistas, enquanto o governo [aliado aos corruptos que antes xingavam], toma atitude essas ações comunistas/socialistas.

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Economia

Banco do Brasil vende carteira ao BTG Pactual por 12% do valor

O Bando do Brasil está tendo de se explicar porque vendeu uma carteira avaliada em R$ 2.9 bilhões por apenas R$ 371 milhões ao Banco BTG Pactual.

Tudo acontece quando há uma debandada de integrantes de alto escalão de órgãos ligados ao Ministério da Economia [que nega] mas é reforçado pela declaração de ontem do atual presidente do BB, Rubem Novaes, que pediu demissão e vai sair ao findar o mês de julho. Ele disse “não se adaptar à cultura de privilégios, compadrio e corrupção em Brasília.

Ou seja, nada diferente da época petista.

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Economia

Câmara cobra, de novo, proposta de governo para reformas, agora a Administrativa

Como já falamos aqui ontem, a câmara aprovou dois projetos importantes para o país, um relacionada à economia [aquele setor que bolsonaro usou como argumento para ignorar a pandemia, mesmo tendo em seu primeiro ano uma economia pífia, que culpou governos anteriores, e projeções piores para esse ano e que não poderia culpar ninguém, piorada com o coronavírus] e outra à aprovação do Fundeb na educação, que foi ignorada pelo governo e até mesmo pelo Ministério Olavista da Educação com Weintraub. Tanto uma como outra foram tocadas sem proposta previa do governo, exceto pequenas sugestões de última hora que aparentemente não vão passar.

Bolsonaro já acusou o congresso de tentar lhe tomar o poder de decisões, o que de início parecia ser verdade, mas quando era esperado nada fazia. Hoje, novamente, Maia cobrou do governo a proposta da Reforma Administrativa que não apareceu [considerando como foi com a Tributária e da Educação nem proposta deve existir] e possivelmente aparecerão de última hora com alguma ideia não discutida para depois Bolsonaro ir à frente do Planalto dizer que “foi uma vitória do governo” e ser ovacionado pelo membros da seita que ignoram que os projetos eram todos do congresso.

Antes tínhamos dúvida de que servia Onix Lorenzoni no governo, hoje temos dúvida do que serve o governo no governo.

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