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Economia

Juros altos restringem acesso ao crédito e reduzem competitividade industrial, aponta CNI

Last updated: 2026/01/20 at 4:25 AM
O Divergente / Brasil Published janeiro 20, 2026
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Juros altos restringem acesso ao crédito e reduzem competitividade industrial, aponta CNI
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Os empresários da indústria apontam os juros elevados como o principal entrave para acessar crédito. A constatação é referente à Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).

Índice
Empresas evitam buscar créditoCondições de acessoRisco sacadoPerfil das empresas entrevistadas

De acordo com a pesquisa, ao buscar um financiamento de curto ou médio prazo, as empresas identificaram três dificuldades: 

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  • 80% assinalaram os juros elevados como o maior empecilho;
  • 32% destacaram as exigências de garantias reais, como bens móveis ou imóveis; e 
  • 17% sinalizaram a falta de linhas de crédito adequadas à necessidade das empresas.

A percepção é semelhante no crédito de longo prazo (acima de cinco anos):

  • 71% mencionaram os juros altos; 
  • 31% exigência de garantias reais; e 
  • 17% falta de linhas adequadas às necessidades das empresas.

Segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, os resultados refletem o patamar da taxa Selic.

“A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito, uma vez que a taxa Selic está em 15% ao ano e os juros reais em torno de 10%. O crédito mais caro desincentiva o investimento em expansão da capacidade produtiva e em inovação. Com isso, a indústria perde competitividade”, avalia.

Empresas evitam buscar crédito

O levantamento evidencia que mais da metade (54%) das empresas não procurou contratar ou renovar crédito de longo prazo entre fevereiro e julho de 2025, enquanto 49% não foram atrás de crédito de curto ou médio prazo no mesmo período. Apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo. No longo prazo, o índice cai para 17%.

Nesse cenário, um terço dos empreendedores que tentaram a contratação ou renovação de crédito a longo prazo não tiveram sucesso, enquanto cerca de um quinto das empresas que buscaram crédito de curto ou médio prazo não tiveram êxito.

O recorte por porte empresarial mostra que as médias indústrias lideram o índice de frustração na obtenção de crédito, seguidas pelas pequenas e, por último, pelas grandes. O padrão se repete tanto para financiamentos de longo prazo quanto para operações de curto e médio prazo.

Fonte: CNI

Condições de acesso

A pesquisa destaca que 35% das empresas que renovaram crédito de curto ou médio prazo entre fevereiro e julho de 2025 afirmaram que as condições de acesso ficaram piores ou muito piores. No crédito de longo prazo, o percentual foi semelhante: 33% avaliaram piora nos requisitos. Os principais fatores citados foram:

  • taxas de juros elevadas;
  • número reduzido de parcelas;
  • menor período de carência; e 
  • exigência de garantias mais rígidas.

Para 47% das empresas que recontrataram crédito de curto ou médio prazo, não houve mudanças significativas nas condições oferecidas pelas instituições financeiras. O mesmo percentual foi registrado entre as que renovaram linhas de crédito de longo prazo.

Somente 14% das empresas relataram condições melhores ou muito melhores no crédito de curto ou médio prazo em comparação aos seis meses anteriores à pesquisa. No caso do crédito de longo prazo, o percentual cai para 12%.

Risco sacado

O levantamento também investigou a adesão ao risco sacado. Nessa operação, o fornecedor recebe antecipadamente o valor de uma venda por meio da instituição financeira. O comprador (sacado) assume o compromisso de pagar diretamente ao banco na data de vencimento acordada. Assim, o fornecedor obtém liquidez imediata, enquanto a obrigação de pagamento permanece com o comprador.

Os números revelam que a modalidade ainda é pouco difundida e pouco compreendida no setor industrial:

  • 13% das empresas afirmaram ter contratado operações desse tipo nos 12 meses anteriores à pesquisa;
  • 5% pretendiam contratar nos 12 meses seguintes;
  • 54% declarou não ter contratado nem ter intenção de contratar; e
  • 29% não souberam ou preferiram não responder.

Perfil das empresas entrevistadas

A Sondagem Especial contou com 1.789 empresas industriais, sendo:

  • 713 pequenas;
  • 637 médias; e
  • 439 grandes.

O questionário foi aplicado entre 1º e 12 de agosto de 2025.

VEJA MAIS:

  • Juros altos “penalizam” Indústria em 2025, aponta CNI
  • Manutenção da Selic em 15% compromete crescimento econômico ao inibir crédito e investimento, diz CNI

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O Divergente / Brasil janeiro 20, 2026
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