Quando e onde a cirurgia estará disponível?
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer uma nova opção cirúrgica que trata simultaneamente glaucoma e catarata, conforme publicação no Diário Oficial da União em 17 de setembro de 2026. Apesar da aprovação, o Ministério da Saúde ainda não definiu a data de início nem os hospitais que oferecerão o procedimento, deixando a implementação à espera da inclusão da técnica nos protocolos clínicos e da preparação das unidades públicas.
Este avanço chega em um momento em que o glaucoma continua sendo uma das principais causas de perda visual permanente no Brasil. Dados da Conitec indicam que a doença afeta até 3% da população com mais de 40 anos, sendo que 60% dos casos correspondem ao glaucoma primário de ângulo aberto, a forma mais comum do transtorno. A catarata, por sua vez, costuma acometer idosos e, quando combinada com o glaucoma, complica o tratamento e aumenta o risco de complicações.
A nova abordagem, desenvolvida pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) em parceria com a Conitec, permite a retirada do cristalino afetado e a intervenção no canal de drenagem ocular em uma única cirurgia. Duas técnicas estão previstas: a goniotomia excisional, que utiliza uma pequena incisão na córnea, e a trabeculotomia transluminal, que emprega um microcateter no canal de drenagem. Ambas são consideradas menos invasivas, favorecem uma recuperação mais rápida e reduzem o risco de complicações em comparação com os procedimentos tradicionais.
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Além dos benefícios clínicos, a incorporação pode trazer consideráveis economias para a rede pública. A Conitec estima que a goniotomia excisional possa gerar uma economia de R$ 22,4 milhões no primeiro ano e de R$ 93,2 milhões no quinto ano, totalizando R$ 276 milhões em cinco anos. Essa redução se dá em parte pela substituição da cirurgia que utiliza o iStent, um pequeno implante de drenagem, cujo custo é mais elevado.
Para pacientes, a novidade representa uma chance de tratar duas condições que frequentemente coexistem em um único procedimento, reduzindo a necessidade de múltiplas intervenções e melhorando a qualidade de vida. Para o sistema de saúde, a medida pode aliviar a pressão sobre a agenda cirúrgica e otimizar recursos, contribuindo para a sustentabilidade financeira do SUS.
Enquanto a expectativa de quando a cirurgia se tornará prática nas unidades de saúde continua, a aprovação oficial já sinaliza um passo importante na modernização do cuidado com o olho no Brasil. A comunidade médica e os pacientes aguardam, então, a implementação concreta dessa técnica que promete melhorar significativamente o manejo do glaucoma e da catarata.
