Sudeste em equilíbrio técnico
Na pesquisa espontânea divulgada na quinta-feira (1º) pelo Instituto Datafolha, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados na Região Sudeste, a mais populosa do país. Lula lidera com 36% das menções, apenas 5 pontos à frente de Flávio, que tem 31%, dentro da margem de erro regional.
No teste estimulada, em que o eleitor escolhe entre nomes em uma lista, a diferença se mantém mínima: Lula soma 40% dos votos, Flávio 39%. Entre os votos válidos, Lula amplia ligeiramente a distância, com 43% das intenções de voto contra 41% de Flávio, ainda que o resultado permaneça tecnicamente equilibrado dentro da margem de erro de 3 pontos.
Em um cenário de segundo turno simulado, a balança se inverte: Flávio Bolsonaro passa à frente de Lula no Sudeste, com 48% das intenções regionais, contra 45% do petista. Essa é a única região, além do Sul, em que o candidato do PL supera Lula nesse contexto, ainda que dentro da margem de erro.
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Significado do equilíbrio regional
O Sudeste concentra os três maiores colégios eleitorais do país – São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais – e detém o maior peso político, com 43.529.845 eleitores aptos a votar neste domingo (4), representando 42% do total nacional. A proximidade entre Lula e Flávio reflete a diversidade de perfis nessa região, onde católicos, evangélicos e famílias de renda intermediária dividem o eleitorado.
Segundo o cientista político Bruno Rizzi da Fatto Inteligência Política, o cenário é “preocupante para a campanha do candidato do PL”. Ele observa que, embora Flávio mantenha a tendência de vantagem bolsonarista, ainda está aquém da margem de quase nove pontos que seu pai obteve em 2022, e a mesma diferença se repete em São Paulo, o maior colégio eleitoral.
Nacional
Em todo o país, Lula lidera o primeiro turno com 45% dos votos válidos, contra 40% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos trazem 4%, 3% e 3%, respectivamente. A pesquisa espontânea mostrou um aumento significativo nas menções a Lula, de 20% em abril de 2025 para 39% na atual, enquanto Flávio subiu de 12% para 31%. O índice de indecisos caiu de 53% para 13%, indicando maior consolidação da disputa.
No cenário de segundo turno, Lula mantém 48% das intenções de voto, apenas 3 pontos à frente de Flávio, configurando um empate técnico dentro da margem de erro. Lula também vence em simulações contra os demais candidatos: 48% a 42% contra Ronaldo Caiado, 49% a 40% contra Romeu Zema, 48% a 39% contra Renan Santos e 47% a 42% contra Augusto Cury.
Quanto à avaliação do governo, 48% aprova o trabalho de Lula e 49% desaprova. O presidente é visto como ótimo ou bom por 35% dos entrevistados, regular por 23% e ruim ou péssimo por 41%.
Rizzi destaca que o grande grupo que decidirá o pleito é composto por eleitoras independentes, que avaliam seus votos além da ideologia. Elas sentem a pressão das blusinhas impostas por Lula, bem como o impacto das apostas e do consumo de produtos importados, fatores que influenciam suas escolhas.
O levantamento, realizado entre 29 de setembro e 1º de outubro de 2026, contou com 2.506 entrevistas presenciais em 152 municípios de todas as regiões, com eleitores de 16 anos ou mais. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O estudo foi contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, e está registrado no TSE sob o número BR-08039/2026.
