O cenário do rebanho
O rebanho bovino brasileiro encerrou 2025 com 234,3 milhões de cabeças, registrando uma queda de 1,7% em relação a 2024. Essa é a segunda retração anual consecutiva e o menor efetivo desde 2022, quando o país contava com 234,9 milhões de animais, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (30).
Depois de quatro anos seguidos de crescimento, o rebanho atingiu um recorde em 2023, com 238,6 milhões de cabeças. Em 2024, a tendência se inverteu, com uma leve retração de 0,2% (238,2 milhões), seguida pela queda mais acentuada em 2025. Esse movimento marca o fim do ciclo de retenção de matrizes que sustentou a expansão entre 2019 e 2023 e sinaliza uma fase de reorganização da produção, impulsionada pela demanda aquecida por carne bovina no mercado interno e, principalmente, externo.
Desempenho comercial e de exportação
Os frigoríficos brasileiros nunca tiveram um ano tão bem-sucedido comercialmente quanto 2025. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que o setor encerrou o ano com embarques que somaram 3,853 milhões de toneladas, um aumento de 20,7% em relação ao ano anterior, enquanto a receita avançou quase 40%, atingindo US$ 18,365 bilhões, apesar da sobretaxa imposta pelos Estados Unidos a produtos nacionais.
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Produção pecuária e mercado lácteo
Mesmo com a queda no número de animais, o valor da produção pecuária brasileira bateu recorde em 2025, somando R$ 141,2 bilhões, alta de 6,2% em relação a 2024. Esse resultado foi impulsionado principalmente pela produção de leite de vaca, que respondeu por 63,4% do total. O mercado lácteo atingiu recorde pelo terceiro ano consecutivo, com 36,7 bilhões de litros em 2025, mesmo com o menor número de vacas ordenhadas desde o início da série histórica do IBGE, em 1974. O aumento de produtividade, investimento em genética, manejo e reorganização da base produtiva foram os principais fatores que sustentaram esse desempenho.
Fêmeas e a dinâmica do abate
Segundo o IBGE, a redução do efetivo está diretamente ligada ao aumento do abate nos últimos quatro anos, sobretudo de fêmeas, que, pela primeira vez desde 1997, superou o de machos no país. A prática visa manter os estoques para atender as demandas dos mercados interno e externo no curto prazo, mas reduz a base de matrizes disponíveis para reposição e tende a diminuir a oferta de bezerros nos próximos anos. Esse movimento já é apontado como fator de pressão para a valorização da arroba do boi e do preço do bezerro em 2026.
Para o instituto, a queda do rebanho bovino reflete um processo mais amplo de otimização da pecuária brasileira. O aumento do abate reduz o número total de animais, mas é compensado por ganhos de produtividade e por preços mais firmes no mercado interno e externo. Essa dinâmica, segundo analistas do setor, deve continuar influenciando os preços da arroba e da carne bovina ao consumidor nos próximos anos.
Distribuição regional e municipal
A retração não ocorreu de forma uniforme entre as regiões. O Centro-Oeste, que concentra o maior rebanho do país (72,2 milhões de cabeças, ou 30,8% do total), teve o terceiro recuo anual seguido, de 3,7%. O Norte caiu 1,8%, para 63,4 milhões de cabeças, enquanto Sudeste e Sul também registraram o terceiro ano consecutivo de queda, de 1,0% e 1,7%, respectivamente, somando 37,3 milhões e 24,1 milhões de animais. O Nordeste foi a única região a ampliar o efetivo, com alta de 2,2%, para 37,3 milhões de cabeças.
No ranking municipal, São Félix do Xingu (PA) manteve a liderança nacional, com 2,7 milhões de bovinos, o equivalente a 1,2% do rebanho do país. Em seguida aparecem Corumbá (MS), com 2,2 milhões de cabeças; Porto Velho (RO), com 1,7 milhão; Cáceres (MT), com 1,4 milhão; e Marabá (PA), com 1,3 milhão.
Outros rebanhos
O cenário do bovino contrasta com o de outros rebanhos do país, que renovaram recordes em 2025: o efetivo de galináceos chegou a 1,6 bilhão de cabeças, o de caprinos a 13,5 milhões e o de ovinos a 22,3 milhões de animais, todos com alta em relação ao ano anterior. Já o
