Introdução
Segundo a Sondagem Especial nº 107 – Condições de Acesso ao Crédito em 2026, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 75% das empresas industriais que tentaram obter financiamento de curto ou médio prazo apontaram os juros elevados como principal obstáculo. Em operações de longo prazo, quase 70% dos empresários citaram o mesmo problema.
Dados da pesquisa
A pesquisa contou com a participação de 1.701 empresas, distribuídas entre 692 de pequeno porte, 612 de médio porte e 397 de grande porte. Os dados refletem o período de fevereiro a julho de 2026.
Embora a proporção de empresas que listaram juros como dificuldade tenha caído em relação à edição anterior – que registrou 80% para curto/médio prazo e 71% para longo prazo – o custo do crédito permanece o maior entrave ao financiamento industrial.
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Contexto econômico
Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, destaca que a taxa básica de juros (Selic) iniciou 2026 em 15% ao ano e, após cortes, está em 13,75% ao ano. “Esses cortes levam tempo para refletir no custo real do crédito. Assim, há um descompasso entre a política monetária e o que as empresas pagam”, explica Colusso.
A Selic, mesmo após a flexibilização, permanece muito alta, mantendo o custo do capital elevado para os empreendedores.
Garantias e burocracia também dificultam o acesso ao crédito
O segundo obstáculo mais citado para empréstimos de curto e médio prazo é a exigência de garantias reais, como bens imóveis, mencionada por 33,4% das empresas. Para financiamentos de longo prazo, o percentual foi de 31,5%.
A burocracia surge como a terceira barreira, apontada por 13,6% das empresas para curto/médio prazo. Em longo prazo, o principal entrave é o prazo de carência insuficiente, citado por 18,9% dos entrevistados.
Uma em cada quatro empresas não consegue crédito de curto prazo
Metade das empresas industriais (49,9%) não buscou contratar ou renovar operações de crédito de curto e médio prazo entre fevereiro e julho de 2026. Apenas 22,9% conseguiu contratar ou renovar, enquanto 7,5% tentou e falhou.
No caso de longo prazo, a parcela que não buscou crédito foi ainda maior, em 54%. Apenas 15,5% conseguiu novo financiamento ou prorrogação, e 9,2% tentou e não obteve sucesso.
Colusso observa que a ausência de busca por crédito nem sempre indica problema – pode refletir a ausência de necessidade ou a preferência por recursos próprios. Contudo, quando combinada com altas taxas de frustração, a situação gera alerta para o setor.
Entre as empresas que tentaram, quase uma em cada quatro (24,7%) não teve êxito em curto/médio prazo, e 37,2%
