Inauguração em São Paulo
Na terça-feira (13), em São Paulo, parlamentares e representantes do setor produtivo lançaram a Rede Parlamentar Mista de Políticas Femininas. A iniciativa, criada pelo Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC) em parceria com a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), o Fórum Nacional da Mulher Empresária (FNME) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), visa articular avanços em crédito para empresárias, incentivo ao empreendedorismo feminino e combate à violência patrimonial.
A rede reúne congressistas e líderes do comércio, indústria e agronegócio para acompanhar o trâmite de projetos no Congresso Nacional. A presidente do CMEC, Ana Cláudia Badra Cotait, destacou que a criação da rede é essencial para unir forças de diferentes setores produtivos e parlamentares em torno de um propósito comum, transformando demandas em políticas públicas efetivas.
Projetos prioritários no Congresso
A agenda da rede concentra três projetos de lei em tramitação:
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- PL 2.632/2026 (deputada Soraya Santos – PL-RJ), que faz parte da iniciativa Mulheres em Movimento e estabelece diretrizes para expansão de crédito e capacitação de empreendedoras.
- PL 674/2022 (senadora Eliziane Gama – PT-MA), que cria o Fundo de Empreendedorismo Feminino (FEE-Mulher) para financiar negócios liderados por mulheres.
- PL 4.248/2025 (deputado Jorge Goetten – Republicanos-SC, relatado pela deputada Delegada Adriana Accorsi – PT-GO), que trata da responsabilização por crimes de violência patrimonial em contexto doméstico.
Para a deputada federal eleita Júlia Nunes (PSD-AL), a atuação do grupo é fundamental para garantir espaços de poder e converter pautas como o enfrentamento à violência patrimonial e o apoio ao empreendedorismo em realidade jurídica.
“Precisamos trazer uma penalidade efetiva e políticas públicas que garantam também o acolhimento das mulheres”, afirmou Júlia Nunes, reforçando a necessidade de fortalecer a legislação e oferecer suporte financeiro e institucional às empreendedoras.
Paula Belmonte, deputada distrital pelo DF, ressaltou a relevância do associativismo e da união entre o Legislativo e o setor produtivo para reorientar a lógica das leis voltadas às mulheres. “Precisamos mudar a estrutura do pensamento para mostrar que o setor produtivo gera tributos e impulsiona a economia”, disse.
Adriana Ventura (Novo-SP) destacou que a ampliação da representação feminina no Congresso precisa resultar em pautas concretas de autonomia financeira. “É importante que a bancada feminina se converta em pautas que deem autonomia e independência para as mulheres”, acrescentou.
Presenças e representatividade no Senado e na Câmara
O evento contou com a participação de senadora eleita Gracinha Caiado (União-GO), deputadas federais Marussa Boldrin (Republicanos-GO), Rosana Valle (PL-SP), Coronel Fernanda (PL-MT) e Priscila Costa (PL-CE), entre outras.
Gracinha Caiado enfatizou a relevância histórica da bancada feminina: “São 109 mulheres eleitas na Câmara, representando 21% da Casa. No Senado, são 12 eleitas e agora somos 18 na bancada.”
Paola Batistella, presidente da Faciap Mulher (Paraná), destacou a importância de debater o impacto das taxas de juros e o fomento aos negócios liderados por mulheres. “É uma honra estarmos aqui representando o Paraná e o CMEC. Trazemos para este evento grandes pautas do empreendedorismo feminino, como a questão dos juros: por que a mulher paga mais juros hoje no Brasil?”
Cenário econômico e político
O lançamento da rede ocorre em um momento de expansão da presença feminina na política e na economia. Na Câmara dos Deputados, 109 parlamentares ocupam cadeiras (21,2% do total), enquanto o Senado conta com 12 senadoras, com estimativa de chegar a 18 integrantes em 2027.
No âmbito empresarial, dados do Sebrae mostram que o país registra 10,4 milhões de negócios liderados por mulheres. Em 2025, empreendedoras responderam por 41,7% das novas micro e pequenas empresas abertas no Brasil. A proposta da Rede Parlamentar Mista é manter um canal contínuo entre a classe empresarial e o Congresso para acompanhar e propor pautas ligadas ao setor.
