Surto de Newcastle em Santa Catarina
Em 18 de outubro, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou a ocorrência de um foco da Doença de Newcastle em uma granja comercial de corte de perus localizada em Nova Itaberaba, Santa Catarina. A detecção foi feita pelo Serviço Veterinário Oficial do estado e confirmada pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP), reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como referência internacional.
O estabelecimento, com cerca de 6 mil perus de corte, não destinava seus animais à produção de carne para consumo. A granja foi interditada e a movimentação de aves suspensa. As autoridades realizaram a depopulação do lote, seguida de limpeza e desinfecção, de acordo com o Plano de Contingência da OMSA para Influenza Aviária e Doença de Newcastle.
Reação internacional
Em resposta ao surto, o México suspendeu todas as importações de aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias e aves canoras, ornamentais ou de rapina, além de aves de companhia provenientes de todo o Brasil. A medida, tomada em terça-feira, 20, visa prevenir a disseminação do vírus.
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China, por sua vez, restringiu a importação de carne de aves proveniente de Santa Catarina, enquanto o Chile interrompeu a compra de ovos, pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves e produtos com carne fresca de aves do estado. O Mapa informou que a restrição chinesa foi limitada após negociação conduzida pelo governo brasileiro, evitando um embargo nacional.
Outros mercados permanecem em monitoramento, pois as restrições seguem os protocolos sanitários bilaterais estabelecidos nos acordos comerciais. A extensão e duração do embargo dependem da agilidade na contenção do foco.
Medidas de contenção e monitoramento
Como parte da estratégia de contenção, será realizado um monitoramento epidemiológico em uma área de restrição que abrange Nova Itaberaba e os municípios vizinhos de Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias. A operação prevê o acompanhamento de cerca de 133 propriedades, com visitas, avaliação clínica das aves e coleta de amostras para análise no LFDA-SP.
Até o momento, não haverá recolhimento de produtos nem devolução de aves que já tenham saído de outras propriedades da região. A ocorrência será notificada à OMSA e aos parceiros comerciais do Brasil.
Impacto nas exportações e na economia
A suspensão das importações de aves brasileiras pode gerar perdas significativas para os produtores de Santa Catarina, que dependem das exportações para mercados internacionais. A medida, contudo, demonstra a importância de protocolos rigorosos de biossegurança e da capacidade de resposta rápida do setor.
Segundo Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a transparência no processo de contenção e comunicação com os países importadores pode minimizar a ruptura nas exportações, permitindo uma regionalização que reduza o impacto econômico.
Segurança humana e comunicação oficial
Em coletiva de imprensa na segunda-feira, 19, em Brasília, o ministro André de Paula enfatizou que o foco foi identificado dentro da vigilância sanitária ativa e que não há risco à saúde humana no consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial. A mensagem reforça a importância da comunicação clara para evitar pânico e preservar a confiança no mercado.
Doença de Newcastle: características e prevenção
A Doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa, que afeta mais de 200 espécies de aves. Causada pelo vírus virulento do paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1), pode provocar sintomas respiratórios, nervosos e digestivos, com mortalidade que pode chegar a 100% em lotes vulneráveis.
O vírus se espalha principalmente pelo ar e pelas fezes de animais doentes. Não há tratamento, sendo a eliminação rápida do lote a medida recomendada. Em humanos, a infecção é rara e costuma causar apenas conjuntivite leve em contato direto com secreções respiratórias de aves doentes.
A prevenção envolve isolamento das aves, controle de acesso a granjas, uso de desinfetantes e vacinação. No
