Uma nova fase de inclusão e inovação musical
Em um marco histórico, a Orquestra Brasileira de Cantores Cegos lançou sua quarta temporada, recebendo R$ 1 milhão de financiamento por meio da Lei Rouanet. A iniciativa, única no planeta por reunir exclusivamente músicos com deficiência visual, reforça o compromisso do Ministério da Cultura em promover a diversidade e a inclusão artística.
Repertório que celebra o patrimônio imaterial do Brasil
O espetáculo, intitulado Repertório #04, apresenta 16 arranjos originais e 17 canções que percorrem o país de norte a sul. Destaques incluem o congo do Espírito Santo, o Coco de Tebei de Pernambuco, a Bata do Feijão do Maranhão, as chulas baianas e as tradições de trabalho agrícola de Alagoas, Sergipe e Minas Gerais. A produção também destaca a musicalidade das comunidades quilombolas Kalunga, em Goiás, e de etnias indígenas como os Mehinako, do Xingu, os Guaranis do Rio de Janeiro e os Kaingang.
Processo criativo e técnico inovador
Com a ajuda da pesquisadora Renata Mattar, a seleção musical focou em cantos de trabalho e rituais coletivos, buscando melodias que ressoassem tanto nas vozes quanto nas experiências dos cantores. A diretora cênica Rejane Arruda empregou iluminação em alto contraste, projeções de sombras e movimentação dinâmica do coro para explorar a percepção sensorial dos artistas.
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Para orientar os cantores sem apoio visual, o maestro Thomas Davison desenvolveu um método baseado em estalos de dedos, palmas, batidas de pés e rotações corporais. Essa abordagem, que ele descreve como “ser os olhos dos músicos”, garantiu coordenação precisa e expressão emotiva.
A composição vocal, assinada por Tarita de Souza, combina coral, instrumentos e ruídos cotidianos, como o som das bengalas ao pisar no palco, criando uma textura sonora autêntica e envolvente.
Impacto na vida dos artistas e na comunidade
As integrantes da orquestra relatam transformações significativas. Joseni Vitorino destaca que a participação elevou sua visibilidade e legitimidade profissional. Lucinéia Santos enfatiza que, apesar da deficiência, a orquestra oferece igualdade de oportunidades e um caminho de reapropriação da identidade. Já Maria das Graças relata que a música restaurou sua autoestima, transformando o grupo em um “ar” essencial para sua vida.
Resultados concretos e perspectivas futuras
Administrada pela Associação Sociedade Cultura e Arte (SOCA Brasil), sediada em Vila Velha (ES), a iniciativa já conquistou mais de 11 mil espectadores, ofereceu transporte gratuito a turmas escolares e gerou mais de
