Indústria Brasileira Registra Desaceleração de 0,6% em 2025
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, na última terça-feira (3), o levantamento sobre a produção industrial em 2025, que registrou um crescimento de 0,6%. Embora o resultado seja positivo, a avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) é de que a desaceleração é um sinal de alerta para a economia brasileira.
A CNI argumenta que a perda de ritmo da atividade industrial no último ano está relacionada ao alto patamar dos juros, à demanda interna insuficiente e ao aumento das importações. A confederação destaca que a indústria extrativista foi a única setor a registrar um crescimento significativo em 2025, com um aumento de 4,9%. No entanto, a indústria de transformação, que é responsável por transformar matérias-primas em produtos, registrou uma queda de 0,2%.
A falta de confiança entre os empresários industriais também é um fator preocupante. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da CNI teve o pior resultado para janeiro em 10 anos e completou 13 meses abaixo da linha de 50 pontos, caracterizando um quadro persistente de falta de confiança.
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A CNI reforça que a falta de confiança já prejudica a indústria em 2026, pois leva empresários a deixar de investir, produzir e contratar, tendo impacto consequencial na economia brasileira.
Desaceleração Acompanha Aumento dos Juros desde 2024
Segundo a CNI, a desaceleração industrial observada em 2025 teve início ainda no segundo semestre de 2024, convergindo com o período em que o Banco Central iniciou o ciclo de aumento da taxa Selic. A indústria de transformação registrou um crescimento de 2,3% no primeiro semestre de 2024, mas apenas 1,8% no semestre seguinte.
O diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, explica que a manutenção da Selic em patamares “punitivos” encareceu o crédito ao setor produtivo, resultando na retenção de investimentos e redução do apetite dos consumidores por produtos industriais.
A CNI reforça que o enfraquecimento da demanda encontra respaldo nos dados da Sondagem Industrial da confederação, que mostram que os estoques ficaram acima do planejado durante o segundo semestre de 2025. Além disso, o aumento das importações é outro desafio para a indústria, com compras de bens de consumo, bens de capital e bens intermediários saltando 15,6%, 7,8% e 5,6%, respectivamente, em 2025.
As informações são da CNI.
