Governo federal anuncia crédito de R$ 14 bilhões para agricultura com juros de 8,5%
Em uma movimentada reunião aberta com o tema “Diálogo, inovação e crescimento: o novo momento do agronegócio brasileiro”, realizada na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, anunciou que o governo federal disponibilizará R$ 14 bilhões em linhas de crédito para investimentos em máquinas e implementos agrícolas por meio do Programa Move Agricultura.
A novidade trata-se da consolidação do programa que já havia sido anunciado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin em abril deste ano durante a AgriShow, em Ribeirão Preto, interior paulista. Na ocasião, o montante disponibilizado seria de R$ 10 bilhões.
“O presidente Lula vai anunciar formalmente as bases do Programa Move Agricultura. Não serão R$ 10 bilhões, serão R$ 14 bilhões disponibilizados, com juros de 8,5% — para operações realizadas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) — e 9,5% para os outros 42 bancos credenciados”, afirmou o ministro.
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De acordo com André de Paula, o Programa Move Agricultura visa proporcionar condições mais favoráveis para o acesso ao crédito por parte dos produtores rurais, que enfrentam dificuldades em obter financiamento para investir em suas atividades. “Os recursos serão disponibilizados, mas hoje o produtor rural não está conseguindo acessar esse crédito. Os bancos estão muito restritivos, com muitas exigências. Teremos recursos, mas muitos produtores não terão acesso a esse crédito”, ressaltou.
Além disso, o ministro destacou a importância da ampliação do seguro rural, que é considerado um dos principais problemas do agro brasileiro. “Nós temos que ter um seguro abrangente. Como ocorre nos Estados Unidos, 80% a 90% das lavouras, da pecuária e das atividades do campo têm que estar cobertas com seguro. Nós temos que ter seguro contra as intempéries climáticas”, defendeu.
A reunião também abordou a relação comercial com os Estados Unidos, que anunciou a possibilidade de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre a importação de determinados produtos brasileiros, alegando práticas consideradas desleais, como comércio digital e desmatamento ilegal. André de Paula defendeu a busca por soluções negociadas que minimizem impactos sobre o comércio bilateral.
Por fim, o evento marcou a assinatura de um termo de cooperação institucional entre a ACSP e a Sociedade Rural Brasileira (SRB), com o objetivo de fortalecer a atuação conjunta das entidades em temas estratégicos para o agronegócio e para o setor produtivo nacional.
