De 19 de agosto a 10 de outubro, o Centro Cultural dos Correios apresenta a exposição Inefável Presença, reunindo nove artistas formados no Ateliê Oruniyá, na Tijuca, sob curadoria de Ayla de Oliveira.
A mostra exibe desenhos e pinturas a óleo que, embora individuais, refletem a prática coletiva do ateliê, o estudo da tradição pictórica e a visão da pintura como diálogo e continuidade. Paisagens se tornam atmosferas oníricas, figuras femininas se fundem à natureza, conchas simbolizam proteção e memória, cenas cotidianas revelam o imaginário popular e a luz cria portais e aparições.
O grupo surgiu em 2017 na UFRJ, quando Nelson Macedo, professor de desenho, convidou alunas para seu ateliê, onde conheceram Ana Moura. Sete anos de encontros semanais transformaram a turma em uma comunidade artística, combinando aulas de desenho com discussões sobre cinema, poesia, arte popular e história da arte.
- Publicidade -
A exposição destaca a busca por espaço no mercado para pintura figurativa, mostrando que há público interessado em pesquisas artísticas. O título Inefável Presença sugere a impossibilidade de traduzir totalmente a obra em palavras, convidando o espectador a desacelerar e experimentar a presença revelada pela matéria, cor e luz.
Assim, Inefável Presença oferece ao visitante uma experiência sensorial que une matéria, cor e imagem, refletindo a trajetória coletiva e individual dos artistas formados no Ateliê Oruniyá.
Exposição “Inefável Presença”, curadoria de Ayla de Oliveira, reúne nove artistas que exploram a relação entre memória, natureza e cotidiano em obras que dialogam com a atmosfera etérea e onírica. Nelson Macedo apresenta paisagens que misturam casas, luz e memórias familiares; Ana Moura aproxima a figura feminina de frutas, folhas e rochas; Ayla de Oliveira investiga o sagrado e o tempo em “Oferenda para Oxum”, criando uma passagem entre planos. Anna Lívia Taborda Monahan usa a natureza e os animais para criar cenas poéticas moduladas pela luz; Laura Ribeiro de Castro transforma conchas herdadas da avó em abrigos de proteção e memória; Maria Victória Santos retrata cenas cotidianas e o imaginário coletivo em “Feira”, contrastando movimento e silêncio.
Lucas Moura trabalha a força e o tempo das águas em composições oníricas; Renato Alvim explora o limite entre matéria e aparição com pinceladas difusas e miragens; Paula Siebra investiga a intimidade e a memória familiar em “Crianças de banho tomado”, atravessando o cotidiano pelo olhar próximo. Embora cada artista tenha uma pesquisa própria, a exposição evidencia a formação compartilhada iniciada no Ateliê Oruniyá, que continua a influenciar novos alunos e a consolidar o ateliê como espaço de aprendizado e convivência.
“Algumas imagens não se encerram em um significado; elas continuam vivendo em nós. É na permanência, nesse encontro entre a obra e o olhar, que a pintura permanece viva”,
