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Economia

Suspensão de exportação de carne brasileira para UE gera perdas de US$ 243 milhões em frango e 1,828 bilhão em bovino (quinta-feira, 3)

Last updated: 2026/09/03 at 3:31 PM
O Divergente / Brasil Published setembro 3, 2026
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Suspensão de exportação de carne brasileira para UE gera perdas de US$ 243 milhões em frango e 1,828 bilhão em bovino (quinta-feira, 3)
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Suspensão imediata das exportações

A partir desta quinta-feira (3) o Brasil suspendeu a exportação de produtos de origem animal para a União Europeia (UE), abrangendo carne de frango, bovina e suína, ovos, mel, pescados e animais vivos destinados à produção de alimentos. A medida responde à legislação europeia que restringe o uso de determinados antimicrobianos na produção animal, inclusive antibióticos.

Índice
Suspensão imediata das exportaçõesPrincipais estados exportadoresImpacto no mercado internoAlternativas de mercadoReação das associações do setorPerspectiva de retomada das exportaçõesConclusão

Em 2025, a UE importou US$ 1,8 bilhão em produtos de origem animal do Brasil, equivalente a 368,1 mil toneladas, segundo o Agrostat. A suspensão pode gerar perdas de cerca de US$ 243 milhões no setor de frango, considerando a média mensal exportada ao bloco neste ano (US$ 97,136 milhões). No caso da carne bovina, o impacto pode chegar a US$ 1,828 bilhão entre setembro de 2025 e julho de 2028, período necessário para a cadeia se adaptar às novas exigências.

Principais estados exportadores

O Paraná continua sendo o principal estado exportador de carne de frango, com 2.103.688 toneladas embarcadas em 2025 (40,76% do total). Santa Catarina ocupa a segunda posição com 1.201.818 toneladas. Em carne bovina, o Paraná ficou em décimo lugar, com 46.819 toneladas, segundo o Beef Report 2026 da ABIEC.

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Para a avicultura e bovinocultura de corte, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) estima que o embargo europeu pode impactar mais de US$ 392,2 milhões por ano nas principais cadeias pecuárias do estado.

Impacto no mercado interno

O professor José Luis Oreiro, da UnB, alerta que o redirecionamento de mais de 100 mil toneladas de carne bovina e 230 mil de frango para o mercado interno pode aumentar a oferta disponível, pressionando as margens dos frigoríficos e resultando em produtos mais baratos nos supermercados.

No entanto, Celso Figueiredo, especialista em comércio exterior, argumenta que a suspensão não deve alterar significativamente os preços domésticos, pois a UE representa uma fatia pequena das exportações brasileiras e há outros mercados compradores.

Alternativas de mercado

Entre os destinos potenciais estão China e Estados Unidos, que possuem capacidade para absorver parte da oferta excedente. José Luis Oreiro também destaca o Oriente Médio, especialmente mercados com certificação halal, como alternativa viável.

Celso Figueiredo aponta a Ásia como alternativa, citando a abertura de mercado no Vietnã em 2025 e expectativas de expansão para Indonésia e Japão. No entanto, ele ressalta que o redirecionamento imediato será mais provável para países com cotas ou abertura comercial já estabelecida.

Reação das associações do setor

A ABIEC, em nota, afirmou atuar junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária para negociar com as autoridades europeias. A entidade desenvolveu, em parceria com a ABCAR e a CNA, um protocolo privado de controle do uso de antimicrobianos, já em execução junto à cadeia produtiva, com 100% das empresas associadas aderidas.

A ABPA informou que acompanha o progresso da missão europeia de inspeção do sistema de produção de carne de frango e que a avicultura brasileira atende integralmente aos requisitos da UE.

Perspectiva de retomada das exportações

Desde 1º de julho, o Brasil adotou novos procedimentos para controlar o uso de antimicrobianos na cadeia de proteínas. Em 31 de julho, o presidente Lula enviou carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, solicitando a reinclusão do Brasil na lista de fornecedores de frango e mel antes da conclusão das auditorias.

Para frango e mel, a exclusão poderá ser revertida em novembro, após a auditoria europeia. Já a carne bovina pode permanecer fora do mercado europeu até meados de 2028, dada a necessidade de adaptação da cadeia e a duração do ciclo de vida dos bovinos (24 a 36 meses).

Conclusão

A suspensão das exportações para a UE representa um desafio significativo para o agronegócio brasileiro, especialmente nos setores de frango e bovino. Embora o impacto no mercado interno possa pressionar preços, a diversificação de destinos e o fortalecimento de protocolos de controle sanitário oferecem caminhos para mitigar perdas. O sucesso da retomada dependerá da rapidez das auditorias europeias e da capacidade do país de realocar sua produção para mercados alternativos.

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O Divergente / Brasil setembro 3, 2026
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