Suspensão imediata das exportações
A partir desta quinta-feira (3) o Brasil suspendeu a exportação de produtos de origem animal para a União Europeia (UE), abrangendo carne de frango, bovina e suína, ovos, mel, pescados e animais vivos destinados à produção de alimentos. A medida responde à legislação europeia que restringe o uso de determinados antimicrobianos na produção animal, inclusive antibióticos.
Em 2025, a UE importou US$ 1,8 bilhão em produtos de origem animal do Brasil, equivalente a 368,1 mil toneladas, segundo o Agrostat. A suspensão pode gerar perdas de cerca de US$ 243 milhões no setor de frango, considerando a média mensal exportada ao bloco neste ano (US$ 97,136 milhões). No caso da carne bovina, o impacto pode chegar a US$ 1,828 bilhão entre setembro de 2025 e julho de 2028, período necessário para a cadeia se adaptar às novas exigências.
Principais estados exportadores
O Paraná continua sendo o principal estado exportador de carne de frango, com 2.103.688 toneladas embarcadas em 2025 (40,76% do total). Santa Catarina ocupa a segunda posição com 1.201.818 toneladas. Em carne bovina, o Paraná ficou em décimo lugar, com 46.819 toneladas, segundo o Beef Report 2026 da ABIEC.
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Para a avicultura e bovinocultura de corte, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) estima que o embargo europeu pode impactar mais de US$ 392,2 milhões por ano nas principais cadeias pecuárias do estado.
Impacto no mercado interno
O professor José Luis Oreiro, da UnB, alerta que o redirecionamento de mais de 100 mil toneladas de carne bovina e 230 mil de frango para o mercado interno pode aumentar a oferta disponível, pressionando as margens dos frigoríficos e resultando em produtos mais baratos nos supermercados.
No entanto, Celso Figueiredo, especialista em comércio exterior, argumenta que a suspensão não deve alterar significativamente os preços domésticos, pois a UE representa uma fatia pequena das exportações brasileiras e há outros mercados compradores.
Alternativas de mercado
Entre os destinos potenciais estão China e Estados Unidos, que possuem capacidade para absorver parte da oferta excedente. José Luis Oreiro também destaca o Oriente Médio, especialmente mercados com certificação halal, como alternativa viável.
Celso Figueiredo aponta a Ásia como alternativa, citando a abertura de mercado no Vietnã em 2025 e expectativas de expansão para Indonésia e Japão. No entanto, ele ressalta que o redirecionamento imediato será mais provável para países com cotas ou abertura comercial já estabelecida.
Reação das associações do setor
A ABIEC, em nota, afirmou atuar junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária para negociar com as autoridades europeias. A entidade desenvolveu, em parceria com a ABCAR e a CNA, um protocolo privado de controle do uso de antimicrobianos, já em execução junto à cadeia produtiva, com 100% das empresas associadas aderidas.
A ABPA informou que acompanha o progresso da missão europeia de inspeção do sistema de produção de carne de frango e que a avicultura brasileira atende integralmente aos requisitos da UE.
Perspectiva de retomada das exportações
Desde 1º de julho, o Brasil adotou novos procedimentos para controlar o uso de antimicrobianos na cadeia de proteínas. Em 31 de julho, o presidente Lula enviou carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, solicitando a reinclusão do Brasil na lista de fornecedores de frango e mel antes da conclusão das auditorias.
Para frango e mel, a exclusão poderá ser revertida em novembro, após a auditoria europeia. Já a carne bovina pode permanecer fora do mercado europeu até meados de 2028, dada a necessidade de adaptação da cadeia e a duração do ciclo de vida dos bovinos (24 a 36 meses).
Conclusão
A suspensão das exportações para a UE representa um desafio significativo para o agronegócio brasileiro, especialmente nos setores de frango e bovino. Embora o impacto no mercado interno possa pressionar preços, a diversificação de destinos e o fortalecimento de protocolos de controle sanitário oferecem caminhos para mitigar perdas. O sucesso da retomada dependerá da rapidez das auditorias europeias e da capacidade do país de realocar sua produção para mercados alternativos.
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