Memorando de Entendimento impulsiona laços comerciais
Na última quarta-feira, 27 de agosto, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação das Indústrias Indianas (CII) assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) que visa ampliar o comércio bilateral, compartilhar informações de mercado e estimular investimentos e internacionalização de empresas dos dois países.
O acordo foi firmado durante a Missão Empresarial Estratégica da Índia no Brasil, em um momento de expansão das relações comerciais, e traz um conjunto de ações concretas para aproximar empresas brasileiras e indianas, facilitando o acesso a dados sobre oportunidades nos respectivos mercados.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que, em 2025, o comércio entre Brasil e Índia movimentou US$ 15,2 bilhões, um aumento de 25,4% em relação a 2024. As exportações brasileiras totalizaram US$ 6,86 bilhões, alta de 30,2%.
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Já no primeiro semestre de 2026, a corrente de comércio atingiu US$ 10,1 bilhões, crescimento de 32,9%. Nesse período, as vendas brasileiras para o mercado indiano somaram quase US$ 5,89 bilhões, avanço de 82,1%.
A diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso, destaca que o memorando estabelece uma estrutura de cooperação que aproxima empresas dos dois lados e facilita o acesso a informações sobre oportunidades nos mercados.
“Vemos um crescimento nas exportações desde 2025, quando batemos um recorde com salto de 25%. Este ano já demonstra que seguimos no mesmo caminho”, afirmou.
Velloso acrescenta que a atuação brasileira no mercado indiano também foi ampliada com a abertura de um escritório da ApexBrasil em Nova Déli, em fevereiro de 2026, após uma missão presidencial à Ásia. “É uma cooperação ganha‑ganha, já que há complementaridade entre as duas nações”, enfatizou.
Comércio e Mercosul-Índia
Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, os resultados fazem parte de uma estratégia de diversificação dos mercados para os produtos brasileiros.
O chefe da Pasta afirmou que o Brasil deve encerrar 2026 com saldo comercial de US$ 90 bilhões e destacou o desempenho das relações com a Índia. De acordo com Márcio Elias, a política de diversificação permitiu ampliar as vendas externas para 57 países, com crescimento médio de 10,5%.
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A agenda também inclui a ampliação do Acordo de Comércio Preferencial (ACP) entre o Mercosul e a Índia. Atualmente, o tratado contempla 450 linhas tarifárias.
“O Brasil é um país que tem indicadores econômicos e sociais capazes de favorecer o investimento seguro. Há características muito presentes. Uma delas é a segurança jurídica. O segundo é a previsibilidade econômica. Não é possível você gerir a macroeconomia decidindo do dia para a noite uma iniciativa nova, transformadora. É preciso que saibamos quais os capítulos dessa grande novela que é a relação com o poder público”, complementou o ministro.
Indústria e atração de investimentos
As oportunidades apresentadas aos empresários indianos também foram relacionadas aos setores definidos pela Nova Indústria Brasil (NIB). Entre os fatores apresentados pelo governo brasileiro para atrair investimentos estão o tamanho do mercado interno e a participação de fontes renováveis na geração de eletricidade. Em 2025, as renováveis responderam por 86,8% da matriz elétrica brasileira.
A área da saúde foi apontada como uma das possibilidades de maior aproximação. O governo pretende atrair empresas indianas para o Complexo Econômico‑Industrial da Saúde, especialmente nos segmentos farmacêutico e de equipamentos, aproveitando a convergência regulatória e a dimensão do mercado atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que serve cerca de 200 milhões de pessoas.
Outro tema tratado nas reuniões foi a exploração e o processamento de minerais críticos, com a estratégia brasileira de estimular a agregação de valor no país, em alinhamento com o acordo setorial firmado em fevereiro.
A transição energética também entrou na pauta, com oportunidades relacionadas à bioenergia, aos biocombustíveis e à economia circular. “Esse é o nosso papel. Nós queremos cada vez mais facilitar e acelerar os investimentos exteriores aqui no Brasil”, destaca o presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller.
Interesse da Índia
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