Na segunda-feira, 7 de Setembro, o Brasil inteiro vibrava com protestos de extrema direita e esquerda, refletindo a polarização política que domina o país. Em mais de 15 municípios, as ruas se transformaram em palco de críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, enquanto movimentos de esquerda buscavam reivindicações sociais e trabalhistas.
Tumulto na Paulista
Em São Paulo, a Avenida Paulista foi palco da maior manifestação, com cerca de 28,5 mil participantes, segundo estimativas do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da More in Common. O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, liderou a marcha ao lado de Michelle Bolsonaro e do governador Tarcísio de Freitas. O discurso, marcado por “Fora Lula e fora Moraes”, culminou na proposta de destituir Alexandre de Moraes, que Flávio chamou de “laranja podre”. A ação ganhou força após a divulgação de mensagens atribuídas ao ministro, alimentando a indignação contra supostas interferências judiciais.
O policiamento intensificado pela Polícia Militar e pela Guarda Civil Metropolitana garantiu que não houvesse incidentes graves, embora episódios de tensão surgissem, como o confronto na esquina da Rua Peixoto Gomide com a Alameda Santos, quando grupos tentaram invadir áreas de manifestantes de orientação política oposta. Vídeos que circulam nas redes mostram o uso de bombas de efeito moral para dispersar os protestantes.
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Outros atos com candidatos à Presidência
Além de Flávio, outros candidatos marcaram presença nas ruas. Renan Santos (Missão) discursou no Obelisco do Ibirapuera, criticando a elite e acusando-a de “lixo”. Romeu Zema (Novo) caminhou pela Paulista, prometendo acabar com decisões monocráticas do STF. No centro de Goiânia, Ronaldo Caiado (PSD) participou de desfile cívico, denunciando a política de segurança pública de Lula e acusando-o de entregar o país às facções criminosas. Em Copacabana, Augusto Cury (Avante) liderou caminhada em defesa da pacificação e da transparência na Suprema Corte.
Atos da esquerda pelo país
Movimentos de esquerda também se organizaram em diferentes regiões. Em São Paulo, a Praça da Sé foi palco de manifestações que exigiam o fim da escala 6×1, a defesa do SUS e o combate ao feminicídio. O Grito dos Excluídos e Excluídas, com lema “Vida em Primeiro Lugar!”, mobilizou cidades como Maceió, Recife, Aracaju, Fortaleza, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Velho, Goiânia, Brasília, Curitiba e Porto Alegre. O movimento destaca a luta por moradia, trabalho, saúde, educação e soberania, além de denunciar a desigualdade social e a violência contra mulheres.
Participação de Lula no desfile de 7 de Setembro
Enquanto os protestos se espalhavam, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva compareceu ao desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios, acompanhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. A cerimônia contou com a presença de autoridades como Edson Fachin (STF), Davi Alcolumbre (Senado) e Hugo Motta (Câmara). Lula destacou a soberania nacional e a autonomia do país em relações internacionais, reforçando a importância da gestão das riquezas naturais e da defesa da soberania frente a influências externas.
Em Brasília, dois protestos paralelos ao desfile pediram a saída de Lula e de Alexandre de Moraes, criticando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por não promover um pedido de impeachment contra o ministro. Um dos protestos ocorreu em frente ao Banco Central, outro na Funarte, ambos convocados pelo Novo e com apoio do PL.
Os atos, espalhados por cidades como Recife, Salvador, Maceió, Ilhéus, Natal, Teresina, João Pessoa, Belo Horizonte, Volta Redonda, Ibirama e Porto Alegre, refletem a tensão entre a oposição e o governo. Enquanto a direita concentra suas críticas no STF e na gestão de Lula, a esquerda enfatiza demandas sociais e de justiça.
Em um país marcado por polarização, os protestos de 7 de Setembro evidenciaram a necessidade de diálogo e de mecanismos democráticos que garantam tanto a crítica legítima quanto a proteção dos direitos fundamentais. A participação de Lula no desfile, ao mesmo tempo em que há manifestações de oposição, demonstra a complexa dinâmica política brasileira, onde o Estado e a sociedade civil continuam em constante negociação sobre o rumo do país.
