Introdução
Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apresentado no Congresso ALADYR Brasil 2026 em São Paulo, coloca a dessalinização da água do mar como peça chave para garantir a continuidade da produção industrial e fortalecer a sustentabilidade do setor. A pesquisa, intitulada “Segurança Hídrica Industrial: O Papel da Dessalinização no Brasil”, analisa o estágio atual da tecnologia, custos de implantação, impactos ambientais e oportunidades de financiamento.
Mudanças climáticas ampliam desafios para a segurança hídrica
O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto de Oliveira Muniz, destaca que a água deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar um fator estratégico da competitividade. “Para a indústria, a água agora define onde se investe, como se produz e se a operação resiste a uma crise”, afirma Muniz, ressaltando que reúso e dessalinização são respostas concretas à mudança climática.
Durante o painel “Mudanças climáticas e segurança hídrica: desafios para a economia latino-americana”, Mário Cardoso, gerente de Recursos Naturais da CNI, apresentou dados alarmantes: de 2014 a 2023, 83% dos municípios brasileiros foram atingidos por eventos climáticos extremos, afetando 177 milhões de pessoas e causando R$ 421 bilhões em prejuízos. Um estudo do Ministério do Planejamento estima que a falta de ações climáticas pode custar até R$ 17,1 trilhões ao PIB até 2050 e eliminar 4,4 milhões de empregos.
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Na América Latina, cerca de 150 milhões de pessoas vivem em situação de escassez hídrica, segundo o Banco Mundial. No Brasil, embora a disponibilidade hídrica agregada seja alta, a distribuição é desigual: a Região Hidrográfica Amazônica concentra 81% da água superficial, enquanto o semiárido nordestino enfrenta escassez recorrente. Em 2025, a demanda industrial atingiu aproximadamente 175 m³/s.
Tecnologia avança e reduz custos de dessalinização
A osmose reversa, tecnologia predominante, viu o consumo de energia cair de 20 kWh/m³ para uma faixa de 2,0 a 4,0 kWh/m³ em usinas modernas de grande porte. Ainda assim, a eletricidade representa 40% a 60% dos custos operacionais. Os custos de produção de água industrial variam entre US$ 0,50 e US$ 0,80 por metro cúbico, enquanto o investimento médio global em projetos de grande escala fica em torno de US$ 900 por metro cúbico diário. Aproximadamente 54,8% da população brasileira vive a até 150 km da costa, onde se concentram importantes polos industriais, favorecendo a avaliação da dessalinização como alternativa viável.
Fundo Clima pode financiar projetos industriais
O Fundo Clima – Indústria Verde, operado pelo BNDES, oferece linhas de crédito que podem impulsionar a implantação de novos projetos de dessalinização. Contudo, a CNI ressalta a necessidade de segurança jurídica, especialmente em relação ao licenciamento ambiental para descarte de salmoura e à tributação de equipamentos.
A clareza normativa reduziria incertezas e aceleraria a escala dos projetos, beneficiando tanto grandes indústrias quanto pequenas empresas que podem optar por soluções compartilhadas ou por adquirir água como serviço.
Desafios para a dessalinização
Segundo Cardoso, o principal entr
