Avaliação da IFI Sinaliza Riscos para a Economia Brasileira
Com o mais recente Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal, emitiu uma avaliação preocupante sobre a economia brasileira. Segundo a entidade, o cenário fiscal é de “equilíbrio precário”, o que pode indicar riscos para a estabilidade econômica do país.
De acordo com a IFI, o governo consegue cumprir as metas fiscais apenas porque utiliza descontos legais previstos na legislação, que permitem excluir determinadas despesas do cálculo oficial do resultado primário. Além disso, o governo também beneficia-se da banda de tolerância em torno do centro da meta fiscal, o que significa que pode ser considerado dentro da meta fiscal mesmo sem atingir exatamente o objetivo de déficit zero.
Apesar disso, a IFI alerta que os déficits primários efetivos seguem recorrentes, o que significa que o governo continua gastando mais do que arrecada nas despesas primárias. Além disso, a dívida pública mantém trajetória preocupante de crescimento.
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Previdência Continua como Ponto de Pressão
A IFI também destaca que a Previdência continua sendo um ponto de pressão nas contas públicas. Mesmo após a reforma estrutural de 2019, as despesas do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) voltaram a crescer em termos reais após 2021. De acordo com o RAF, os gastos previdenciários corresponderam a 8,1% do PIB e a 42,9% das despesas primárias totais da União em 2025.
O relatório aponta que o aumento do número de aposentadorias urbanas e rurais, além da expansão de benefícios como o auxílio por incapacidade temporária, reforça a pressão estrutural sobre as contas públicas. Diante do envelhecimento populacional e do peso crescente da Previdência no orçamento, o tema continuará no centro do debate fiscal nos próximos anos.
Lei de Diretrizes Orçamentárias 2027
O RAF também analisa o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, que deve ser votado pelo Congresso até 17 de julho de 2026. A IFI avaliou os parâmetros macroeconômicos utilizados pelo governo para embasar a proposta, como projeções de crescimento do PIB, inflação, taxa Selic, câmbio, arrecadação e desemprego.
A entidade também examinou as projeções fiscais derivadas dessas estimativas, incluindo receitas, despesas, resultado primário e trajetória da dívida pública. Segundo a IFI, o cenário se torna cada vez mais desafiador diante das metas previstas para o resultado primário: 0,5% do PIB em 2027, 1,0% em 2028, 1,25% em 2029 e 1,5% em 2030.
Os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, ressaltam que os parâmetros macroeconômicos utilizados pelo governo são mais otimistas que os utilizados pela IFI, o que pode indicar riscos para as projeções fiscais.
O relatório completo pode ser consultado no portal da Instituição Fiscal Independente.
