Introdução
Até julho de 2026, o mercado de trabalho formal do país registrou 972,2 mil postos de trabalho com carteira assinada, um resultado 29 % inferior ao acumulado do mesmo período em 2025, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (Novo Caged). Enquanto a taxa de desocupação se mantém em 5,3 %, os salários médios não apresentaram aumento, permanecendo estáveis em R$ 3.777, conforme observação do analista William Kratochwill.
Desenvolvimento
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), o número de trabalhadores autônomos e domésticos manteve-se estável em 26,1 milhões e 5,5 milhões, respectivamente, indicando que a informalidade continua em alta. O levantamento também apontou que a geração de empregos formais sofreu desaceleração em quase todos os setores, exceto na construção civil.
Na agropecuária, foram criadas apenas 51,4 mil vagas, representando uma queda de 51 % em relação aos primeiros sete meses de 2025. A indústria registrou 154 mil postos, um 40 % a menos que o ano anterior, enquanto o setor de serviços reduziu em 15 % o número de vagas, atingindo 591,5 mil novas contratações. Em contrapartida, a construção civil foi o único segmento que apresentou crescimento, somando 180,4 mil vagas, um acréscimo de 2 % frente ao mesmo período de 2025.
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O economista Cesar Bergo observa que, embora o ritmo de criação de empregos tenha diminuído, o estoque acumulado continua crescendo. “O fluxo de criação está menor em relação ao período de comparação, mas o estoque acumulado ainda cresce. Com a queda na atividade econômica, isso pode refletir em reduções futuras”, explica.
O comércio foi o setor que mais sofreu, apresentando saldo negativo de 51,7 mil vagas entre janeiro e julho de 2026, ao contrário do resultado positivo de 44,1 mil vagas registrado em 2025. O atacado e o comércio de veículos automotores mantiveram saldo positivo, mas com desaceleração de 48 % e 44 % respectivamente, em comparação ao ano anterior.
Bergo destaca que fatores como juros elevados, inadimplência e restrição ao crédito têm impactado o comércio, especialmente na aquisição de bens de alto valor, como móveis e eletrodomésticos, que costumam ser financiados. Ele relembra que sinais semelhantes já foram observados nos governos de Dilma Rousseff e Temer.
Em julho de 2026, a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) revelou que as vendas varejistas caíram 0,8 % em relação a junho, descontados efeitos sazonais. A queda foi impulsionada principalmente por móveis e eletrodomésticos, que registraram redução de 4,9 % no mês – a maior retração desde dezembro de 2023, quando a queda foi de 6,6 %. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) alerta que o custo elevado do crédito e o comprometimento da renda das famílias com dívidas continuam limitando as compras de maior valor.
Conclusão
O panorama de 2026 indica um mercado de trabalho formal em fase de estagnação, com queda significativa na criação de vagas e salários estáveis. A desaceleração em quase todos os setores, salvo na construção, sinaliza um ambiente econômico mais fraco e reforça a necessidade de políticas que estimulem o crédito e a produtividade. Enquanto o estoque de empregos ainda cresce, a
