Introdução
Na pulsante tradição do Nordeste brasileiro, o Repente se destaca como uma forma de expressão que mistura rima, improviso e poesia de rua. Em 2021, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu oficialmente a manifestação como Patrimônio Cultural do Brasil, consolidando sua importância no cenário cultural nacional.
Desenvolvimento
O Repente nasceu no século XIX, em Pernambuco e na Paraíba, com raízes na Serra do Teixeira. Inicialmente, cantadores rurais apresentavam suas estrofes em feiras e praças, antes de migrar para os centros urbanos na década de 1950 em busca de rádio e correio como meios de divulgação. A década de 1980 trouxe gravações de discos, enquanto os anos 1990 e a internet ampliaram a divulgação e a popularização da prática.
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O pedido de registro foi encaminhado ao Iphan em 2013 pela Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do Distrito Federal (Acrespo). O Instituto, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), elaborou um dossiê técnico que detalha a história, características e relevância cultural do Repente. A partir da aprovação, o movimento passou a figurar no Livro de Registro das Formas de Expressão, junto a outras manifestações como a Roda de Capoeira e o Choro.
As apresentações típicas de repentistas ocorrem em espaços públicos, como casas, feiras e festivais, onde dois poetas, acompanhados de violas, alternam estrofes improvisadas sobre temas sugeridos pelo público. A métrica precisa, a qualidade das rimas e a espontaneidade são os pilares que conferem ao Repente seu caráter único.
A plataforma digital Bem Brasileiro, do Iphan, conta com mais de 2 mil itens relacionados a bens culturais registrados nos últimos 25 anos, incluindo pedidos de registro, pareceres técnicos e ações de monitoramento. O site disponibiliza materiais por estado, facilitando o acesso a informações sobre o patrimônio cultural brasileiro.
Conclusão
O reconhecimento do Repente como Patrimônio Cultural do Brasil não apenas valida o trabalho de cantadores, produtores e apreciadores, mas também abre caminho para políticas públicas de preservação. Em um país onde a diversidade cultural é um patrimônio em si, o Repente continua a ser uma voz viva que conecta o passado à contemporaneidade, celebrando a riqueza da oralidade e da criatividade nordestina.
