O retorno de Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto garante mais quatro anos de mandato, mas não traz a maioria que o petista esperava no Congresso Nacional. A partir de 1º de fevereiro de 2027, o Legislativo será mais à direita, com a oposição ampliada e maior capacidade de impedir a aprovação de projetos governamentais.
Na Câmara dos Deputados, o Partido Liberal (PL) conquistou a maior bancada, com 121 deputados, um ganho de 24 cadeiras em relação a 2022. A federação PT‑PCdoB‑PV ficou em segundo lugar, com 88 deputados, seis mais que na última eleição.
Em seu primeiro discurso após a proclamação dos resultados, Lula destacou a importância do diálogo: “Eu não escolhi o Congresso, foi o povo quem escolheu, e é com ele que eu vou votar, trabalhar e aprovar as coisas”.
- Publicidade -
Para Guilherme Mazieiro, consultor executivo da Oficina Consultoria, a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, prevista para fevereiro de 2027, será o primeiro teste político do novo mandato. “Essa eleição é fundamental para entender as condições de governabilidade que o presidente Lula vai ter no seu quarto mandato”, afirma.
O resultado das urnas também marcou a derrota de Flávio Bolsonaro, sinalizando uma nova disputa dentro do Congresso. Embora a direita tenha ampliado sua presença, o avanço ocorreu principalmente sobre partidos de centro e centro‑direita, criando espaço para novas alianças.
No Senado, o PL mantém a maior bancada com 19 senadores, representando 35,2% das 54 cadeiras em disputa. Com os parlamentares já em mandato, a legenda deverá chegar a 29 integrantes. O PT deve contar com 10 senadores após a vitória de Omar Aziz (PSD) na disputa pelo governo do Amazonas, enquanto o MDB terá oito parlamentares.
O fortalecimento da direita no Senado traz desafios além da votação de projetos de lei. A Casa também analisa indicações do presidente para cargos estratégicos, como ministros do Supremo Tribunal Federal, dirigentes de agências reguladoras e outras autoridades. Uma oposição numericamente mais forte pode dificultar essas nomeações, exigindo negociações ainda mais complexas.
“A disputa entre as instituições já está acontecendo há anos, e questões como a reforma do judiciário, a anistia de Bolsonaro, a reforma tributária e a condução econômica e fiscal do país dependerão de acordos com o Legislativo”, conclui Mazieiro.
Assim, a nova configuração do Congresso reforça a tendência de fortalecimento do Legislativo frente ao Executivo. Lula, que em seus primeiros mandatos contou com maior capacidade de conduzir a agenda política, agora precisará demonstrar sua habilidade como articulador político para garantir a aprovação de suas propostas em um Parlamento mais independente e com oposição numericamente fortalecida.
