Reunião em Brasília aprofunda debate sobre voto distrital misto
Na quarta-feira (28), em Brasília (DF), os presidentes da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, e da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, se encontraram para discutir a adoção do voto distrital misto no país. O encontro, que também contou com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem como objetivo aprofundar o debate e identificar pontos de convergência em torno da proposta, que já entrou na agenda da Câmara e pode ser votada ainda em 2026.
O voto distrital misto, modelo utilizado em países como Alemanha e Nova Zelândia, combina a eleição de representantes por distritos eleitorais com a distribuição proporcional de vagas entre os partidos. A proposta busca aproximar os parlamentares de suas bases regionais sem eliminar a representação proporcional no Legislativo. Assim, metade das vagas de cada estado seria preenchida por candidatos eleitos em distritos, por meio de disputas majoritárias, enquanto a outra metade seria distribuída de acordo com a votação proporcional dos partidos, que definem listas de candidatos.
Segundo Cotait Neto, a articulação entre as duas confederações pode impulsionar o avanço das discussões. “Nosso objetivo é juntar esforços das duas entidades e manter parceria para defender projetos de interesse comum. O primeiro projeto que apresentamos é a questão do voto distrital misto”, afirmou. Ele acrescentou que a reunião foi um passo importante para encontrar convergências que possam levar a avanços concretos.
- Publicidade -
Já Ziulkoski destacou que a reforma política é necessária e defendeu a discussão de outras mudanças, como a coincidência dos mandatos eletivos. Ele apontou que “a realização de eleições a cada dois anos gera despesas que recaem sobre a sociedade”. A CNM está disposta a construir um grupo de trabalho para debater essas e outras questões, buscando reduzir custos e aumentar a eficiência do sistema eleitoral.
Durante o encontro, Cotait entregou ao presidente da CNM um estudo com dados sobre o voto distrital misto. A reunião contou também com a participação de Gustavo de Lima Cezário, executivo e gerente de Relações Institucionais do Sebrae Nacional, e de representantes da CACB, João Andrade (diretor de Relações Governamentais) e João Faustino (assessor da mesma diretoria).
O debate sobre o voto distrital misto reflete uma busca por maior representatividade e eficiência no sistema político brasileiro. Se aprovado, o modelo permitiria que os eleitores votassem duas vezes: em um candidato de seu distrito e em uma lista partidária, preservando a participação de diferentes partidos e correntes de pensamento no parlamento. A decisão final, porém, ainda depende de um consenso mais amplo e de uma votação na Câmara dos Deputados, que pode ocorrer em 2026.
