Introdução
Em agosto, a pesquisa de intenção de consumo das famílias (ICF) divulgada pela CNC registrou uma queda de 0,6% em relação ao mês anterior, ajustada sazonalmente. O índice fechou em 104,9 pontos, o menor patamar desde março de 2026, embora a comparação anual mostre um crescimento de 2,3%.
Desenvolvimento
O declínio foi sentido na maioria dos componentes analisados. A Perspectiva Profissional sofreu uma queda de 1,9%, marcando o terceiro mês consecutivo de retração. Em contraste, o indicador de Emprego Atual avançou 0,1% no mês, acumulando um ganho de 1,9% em 12 meses.
Apesar das condições favoráveis no mercado de trabalho, a confiança das famílias sobre o futuro diminuiu. Apenas 42,9% das famílias avaliaram o emprego atual de forma positiva, enquanto 48% tiveram uma visão favorável da perspectiva profissional, o menor percentual desde setembro de 2022.
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A disposição para consumir também sofreu pressão. O Nível de Consumo Atual recuou 0,5%, ficando em 92,3 pontos, abaixo da linha de referência de 100 pontos. A Perspectiva de Consumo diminuiu 0,2% no mês, mas permanece 3% acima do resultado de agosto do ano passado.
Entre os itens pesquisados, o Momento para Compra de Duráveis registrou queda mensal de 1,3%, mas apresentou o maior avanço anual, de 17,5%. A CNC atribui essa melhora à inflação mais baixa dos bens duráveis em relação a 2025, embora as condições de consumo atuais estejam limitando esse movimento.
Diferenças por faixa de renda
O recuo na intenção de consumo afetou ambas as faixas de renda analisadas. Famílias com renda até dez salários mínimos tiveram o índice em 102,5 pontos, com queda mensal de 0,6%. Já as famílias com renda superior a dez salários mínimos registraram 117,4 pontos, também com retração de 0,6%.
Comparado a agosto de 2025, as famílias de menor renda apresentaram maior crescimento da ICF, de 2,5%, frente a 1,6% das famílias com renda superior a dez salários mínimos. A Perspectiva Profissional foi o principal ponto negativo em ambos os grupos, com quedas anuais de 10,6% e 7,3%, respectivamente.
Conclusão
Embora a intenção de consumo permaneça acima do nível observado no ano anterior, a crescente cautela quanto à estabilidade do emprego está influenciando as decisões de compra das famílias. O cenário interrompe parte do avanço recente na disposição para consumir, especialmente em bens de maior valor, sinalizando um possível ajuste de ritmo na economia doméstica brasileira.
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