Nova publicação aponta 120 tecnologias emergentes e demanda por profissionais qualificados
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (USP) lançaram nesta semana os Cadernos Prospectivos da Base Industrial de Defesa (BID). O conjunto reúne oito estudos que mapeiam as transformações tecnológicas, organizacionais e ocupacionais que deverão remodelar os segmentos estratégicos da indústria de defesa nos próximos anos.
Os documentos destacam mais de 120 tecnologias emergentes, incluindo inteligência artificial, cibersegurança, engenharia digital, sensores inteligentes e manufatura aditiva, e identificam novos perfis profissionais que ganharão protagonismo. Segundo a CNI, a obra serve como referência para empresas, instituições de ensino, formuladores de políticas públicas e demais atores do ecossistema de defesa na preparação para a próxima década.
Indústria de defesa vai além da fabricação de armas
Rafael Sousa, gerente do Observatório Nacional da Indústria, enfatiza que o setor abrange aeronaves, navios, veículos, satélites, radares, drones e soluções de segurança digital. Muitas dessas tecnologias têm aplicações civis, como monitoramento de queimadas por satélites, logística por drones e prevenção de desastres por sistemas de radar.
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Para acompanhar essa evolução, Sousa destaca a necessidade de traduzir as tecnologias em competências e perfis profissionais. Ele defende a atualização de currículos, a criação de novos cursos e programas de especialização, além do fortalecimento da formação prática em ambientes tecnológicos, exigindo articulação entre Forças Armadas, indústria de defesa, SENAI, universidades e centros de pesquisa.
Transformação da Base Industrial de Defesa
Os estudos apontam que a transformação da Base Industrial de Defesa é impulsionada por tecnologias transversais que permeiam setores como aeroespacial, munições, armamentos, plataformas marítimas, cibernética, C4ISTAR e uniformes militares. A tabela abaixo resume a presença dessas tecnologias nos segmentos analisados:
| Tecnologias transversais | Presença nos segmentos analisados |
| Inteligência artificial | 100% |
| Cibersegurança | 100% |
| Engenharia digital | 87,5% |
| Integração digital do ciclo de vida | 87,5% |
| Sensores inteligentes | 87,5% |
| Gêmeos digitais | 87,5% |
| Sistemas autônomos | 75% |
| Arquiteturas abertas | 75% |
| Manufatura aditiva | 75% |
| Novos materiais | 75% |
A disseminação dessas tecnologias deve provocar uma reconfiguração na organização do trabalho, migrando de processos operacionais para funções de integração de sistemas, análise de dados, tomada de decisões e gestão de ambientes complexos e conectados. Essa mudança ampliará a demanda por profissionais com visão sistêmica, competências digitais e capacidade de integrar diferentes áreas de atuação.
Os estudos listam conhecimentos, habilidades e aptidões que devem ganhar relevância:
Conhecimentos: Engenharia de Sistemas, Tecnologias Digitais, Cibersegurança, Confiabilidade, Gestão do Ciclo de Vida, Governança e Gestão.
Habilidades: Analisar e integrar sistemas, analisar dados, monitorar e validar sistemas, resolver problemas complexos, tomar decisões baseadas em evidências, aprender continuamente.
Aptidões: Pensamento analítico, sistêmico, adaptabilidade, atenção seletiva, percepção de problemas, responsabilidade, estabilidade emocional.
Desafios e oportunidades
A publicação destaca desafios como dependência tecnológica externa, financiamento insuficiente e irregular, fragmentação da cadeia produtiva, escassez de competências profissionais e vulnerabilidades cibernéticas. Contudo, também aponta oportunidades para impulsionar a inovação, fortalecer a soberania nacional em áreas estratégicas, ampliar a cooperação entre empresas, governo e instituições de ensino, desenvolver talentos e reforçar a defesa cibernética.
Exportações de defesa em alta
Dados do Ministério da Defesa, compilados pela CNI, mostram que as exportações da Base Industrial de Defesa cresceram 29% no primeiro semestre deste ano, atingindo US$ 1,8 bilhão em autorizações de exportação. Produtos brasileiros já chegaram a 150 países por meio de 130 empresas exportadoras. Os principais itens incluem aeronaves e componentes, explosivos, bombas, armamentos leves, munições e serviços de engenharia de alto valor agregado.
A Base Industrial de Defesa e Segurança representa atualmente 3,41% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
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